Gotas de Júpiter

4 de março de 2021

   Hoje me peguei escutando uma música que considero a minha favorita há 10 anos. Para quem me conhece, isso não é um feito muito raro: me apego a histórias e música de uma forma que jamais me apeguei a coisas ou pessoas. Drops of jupiter do Train é uma música extremamente poética e melancólica, do jeito que eu considerava minha vida quando mais nova - hoje em dia a considero apenas melancólica. 

    Há 10 anos atrás eu sonhava e muito. Meu maior sonho era ser escritora e hoje escrevo rascunhos para a minha gaveta ou quando muito, acabo por publicar neste blog falido fingindo que alguém vai ler. Eu sonhava que ia viver viajando o mundo e voltei para uma cidade do interior tão empoeirada quanto o meu pequeno baú de lembranças. Eu até sonhava com amor, olha só o tamanho da ironia. Eu até tinha amigos, hoje em dia mal consigo contá-los nos dedos da mão esquerda. 

    Eu acho que parte do amadurecer é deixar os sonhos de lado e encarar o amargor da realidade. Deixar as viagens pela via láctea para uma próxima vida, quem sabe? E finalmente encarar que a vida não é aquela música melodiosa do Train e sim algo muito parecido com uma flauta desafinada que toca enquanto tentamos juntar os cacos do que sobrou. Um vislumbre do que costumávamos ser, até qu,e aos poucos, só sobrará o pó. 

    O que sobrou de mim foi apenas uma lembrança, um sombra de um sorriso e uma música velha que é considerada deveras brega pela nova geração. Não há fotos, não há família e não há um lar. A minha vida cabe em duas malas e eu vou para onde o vento me levar porque eu aprendi que a minha jornada é solitária. E ao contrário do que a música diz, não haverá alguém me esperando quando eu voltar da minha viagem pela via láctea. E eu não trouxe comigo gotas de jupiter no cabelo. 

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