"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"
Lavoisier
Existe uma lei da Física que fala sobre conservação. Ela pode ser aplicada a massa, energia, carga, momento linear, angular... Bem, certamente você vai encontrar essa lei em algum livro do Halliday por aí. Essa lei da conservação explica que todo o objeto de estudo abrangido por ela não pode ser criado nem destruído e sim transformado.
Eu, particularmente, tenho um certo apreço pela Lei da Conservação. Sempre achei a Física poética, romântica e sem dúvidas cativante e acho que por esse motivo consigo pensar nas mais absurdas formas de descrevê-la.
A questão aqui não é o meu amor montanha-russa pela Física e sim um devaneio em uma tarde chuvosa. Há uns dois dias atrás eu estava estudando os conceitos da conservação de carga elétrica que explicam que toda a carga total do universo é constante, ou seja, esse princípio de conservação não impede que a carga desapareça em um determinado ponto do universo e reapareça novamente a 1 milhão de quilômetros do seu ponto inicial porque isso não altera a quantidade de carga que existe no universo. Se você tem conhecimento sobre a área pode estar pensando "mas Luiza, existe a lei da conservação da carga local que não obedece essa regra" bem, vamos deixar a Conservação de Carga Local de fora só para dar um tom mais poético para a coisa, ok? Tudo isso que acabei de dizer é explicado por equações que vão fazer você fechar a janela deste site caso eu resolva mostrá-las.
Entre uma teoria e outra, parei para pensar em como tudo na nossa vida se transforma, tal como na natureza. Evidentemente eu não consigo mensurar sentimentos em uma equação e usar dados científicos para provar o meu ponto, então vou fazer proveito do meu autotítulo de escritora para sustentar a minha hipótese.
Não sei vocês, mas eu sempre tive um sério problema para me relacionar com as pessoas. Fujo de relacionamentos como o diabo foge da cruz e estou convicta que vou envelhecer sozinha cercada por 12 gatos. Por ter tanto medo de me abrir com outras pessoas, sempre mantive relacionamentos superficiais com quem tentou se aproximar de mim. Um namoro aqui, outro ali, mas nada que eu realmente levasse a sério.
Em todo esse meu sistema caótico de relacionamentos eternos de 60 segundos, apareceu uma exceção. E, pelo menos uma vez, eu acho que consegui sentir algo relevante por alguém. Foi uma relação meio estranha, durou pouco mais de um ano e eu saí com o coração e o orgulho machucados. Se aquilo era o que as pessoas tanto dizem ser amor, eu não queria. Nunca mais nos vimos desde o tal rompimento.
Acontece que alguns anos depois, voltei a encontrar a pessoa em questão e devido a certas circunstâncias voltamos a conversar e resgatamos uma confiança que existia em uma época nem tão distante assim. Só que desta vez era diferente: Nem eu e nem ele tínhamos a intenção de recomeçar um relacionamento amoroso, era só um sentimento forte de carinho e amizade.
Então, ao falar da Lei da Conservação do Amor, termo que acabei de inventar, ou Amores Conservativos eu trago a hipótese de que, assim como a energia, a carga elétrica, a massa, o amor se transforma. O sentimento não pode ser destruído e sim transformado através de um somatório de fatores e variáveis que contribuem para que isso aconteça. Alguns amores se transformam em ódio, mágoa ou rancor, outros em amizade e reciprocidade e ainda outros viram apenas lembranças na memória de quem os viveu. A Lei da conservação é isso na Física e é isso no amor. O amor não pode ser criado ou destruído. Ele se conserva.

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