"Karma is a bitch"
Era uma noite agradável de início de primavera e eu me encontrava sentada em um bar com três amigas de longa data conversando sobre a vida. Fazia bastante tempo que nós não nos encontrávamos por causa da rotina cada vez mais pesada. A vida adulta bateu na nossa cara tão forte que, nos raros momentos que conseguíamos nos ver, nos juntávamos para ajudar a curar as feridas umas das outras e rir um pouco da vida.
Nos conhecemos no início da faculdade e o destino se encaminhou do resto, apesar de que, se você analisar cada uma de nós, vai perceber que somos completamente diferentes umas das outras. Se me perguntarem o que nos uniu eu nunca vou saber dizer. Vai ver a Lei de Coloumb funciona para pessoas também.
De todas, posso dizer que sempre fui a menos apaixonada. Nunca tive alguém que realmente fizesse o meu coração disparar, enquanto as meninas são mais intensas nesse sentido. Eu achava isso, pelo menos, até que aconteceu.
- Meninas, eu preciso contar uma coisa para vocês.
- Lá vem bomba.
Normalmente quando eu digo "Preciso contar algo para vocês" elas se preparam para um grande choque. Tipo a vez que resolvi fazer a segunda graduação ou que simplesmente terminei um namoro antes de ir ao cinema.
- Não é nada demais, eu só conheci um cara. - Elas continuaram me olhando porque não sou o tipo de pessoa que leva o assunto homens à tona quando estamos conversando. - E foi breve. Ele nem é daqui. Provavelmente nunca mais vou vê-lo. O problema é que eu acho que ele levou um pedacinho do meu pobre coraçãozinho junto com ele.
- AI MEU DEUS, nunca achei que ouviria essas palavras saindo da tua boca.
- Olha que bonitinha, ela tem um coração.
Fiquei extremamente supresa com a primeira reação delas. Não achei que passasse uma imagem de uma pessoa tão emocionalmente indisponível.
- Eu acho que é bobagem, não tem como ficar tão mexida por alguém em tão pouco tempo. Foram poucos dias e tal.
- Tem sim, amiga. A gente não escolhe.
- Como assim? - Confesso que a frase da minha amiga me deixou curiosa pois de todas, ela sempre foi a mais centrada.
- Obviamente não se ama uma pessoa em tão pouco tempo, mas é perfeitamente possível ter um crush.
Bom, acho que não tenho muito o que discutir. Essa minha amiga namora há oito anos. Se tem uma pessoa naquele grupo que já passou por todas as fases de um relacionamento é ela.
- E o que eu vou fazer agora? - Por mais boba que seja a pergunta, foi sincera. Eu nunca me apaixonei por alguém a ponto de sentir as borboletas no estômago. Não sei lidar com sentimentos muito fortes além de raiva. - Eu me sinto triste porque nunca mais vou ver o cara e isso me fez sentir angustiada a semana inteira.
- É uma merda. Eu já me senti assim e não tem o que fazer. Eu contei para vocês do cara da minha viagem, né? Chorei por dias. - Respondeu minha outra amiga - A gente se apega e cria a merda da expectativa. Até hoje eu sinto alguma coisa por ele.
- Não vai passar então?
- Acho que não. Tu ainda vai sentir isso por um bom tempo.
Mas que merda. Com TANTA, mas TANTA gente por perto. Com mais de 100 matches nos aplicativos de relacionamento. Com uma lista de contatinhos na agenda do celular... Eu tinha que sentir com uma paixonite aguda por um cara que nunca mais verei na minha vida? Se existe esse tal de destino, ele está sendo um completo filho da puta comigo.
- Expectativa é uma merda mesmo, né? A gente tá lá de boas e quando vê cria milhares de possibilidades na nossa cabeça. - Falou a terceira amiga - Tu vai sofrer um tempo com isso, te acostuma.
- Eu não quero.
- Bom amiga, não tem o que fazer, aconteceu.
- É. E se for para chorar vamos pegar aquela espumante que tu guardou na geladeira para afogar as mágoas com estilo. - E bebemos.