Trilha sonora: Make it rain - Ed Sheeran
Eu tenho escrito sobre sentimentos desde que me conheço por gente. Me tornei profissional no quesito ler pessoas, interpretá-las e eternizá-las em uma folha de papel, ou neste caso, em um arquivo do Word. Muitos de vocês podem me chamar de ladra, pois no fundo é isso que eu faço: Absorvo histórias de outras pessoas e as transformo em textos na primeira pessoa do singular como se todos aqueles sentimentos fossem meus, mesmo que nunca tenha experimentado sequer uma das sensações que as minhas vítimas experimentaram.
Isso pode parecer um tanto quanto perturbado, aposto que vocês estão se perguntando o motivo de eu não estar sentada no divã de um terapeuta nesse exato momento. Confesso que já conheci mais psicólogos do que gostaria, mas nunca cheguei a um resultado conclusivo.
Acho que esse, no fundo, é o problema de grande parte dos escritores. Nós estamos tão acostumados a interpretar sentimentos alheios, escrever uma vez, duas, três até que fique perfeito que quando resolvemos falar sobre os nossos sentimentos não sabemos expressá-los porque não conseguimos distinguir o que é real e o que não é, e então deixamos o nosso "eu" de lado para mergulhar no mundo de nossos personagens e suas histórias fantásticas.
Nos tornamos tão bons em contar a história dos outros que esquecemos de viver as nossas, porque, adivinhe só? A nossa vida é narrar uma realidade que não nos pertence e então, aos poucos, as histórias são tudo o que nos resta. Nos tornamos invisíveis e esquecemos de protagonizar a nossa própria história enquanto todo o resto do mundo se transforma em personagens de algum romance que estamos escrevendo.
Nos tornamos não apaixonantes porque estamos ocupados demais apaixonados perdidamente por histórias. Pelo menos foi assim que aprendi a lidar com frustrações da vida real. O amor que tanto escrevemos sobre é resultado de um tipo de amor que nós, escritores, conhecemos bem. Trata-se do amor não correspondido. É ele que nos faz escrever, pois sufoca tanto que o único remédio possível para curar essa angústia é sentar na frente de um computador e digitar sem parar até que o peito esteja mais leve. E com isso, nos acostumamos a fazer parte do elenco coadjuvante da nossa própria vida.
Eu nunca esperei muito de alguém, aprendi desde muito nova que o meu "perfil" não é adequado para o amor e, por conseguinte, tratei de ajustar-me ao backstage. Acho que foi a escolha mais sábia que tomei na vida - ou a mais segura. Eu prefiro continuar na minha safezone do que sentir aquela dor no peito novamente.
Talvez amanhã eu escreva a história de vocês aqui. Do grande amor das suas vidas ou da grande decepção, mas hoje, só por hoje, eu precisava usar as palavras para tirar a angústia do meu peito.
Eu nunca esperei muito de alguém, aprendi desde muito nova que o meu "perfil" não é adequado para o amor e, por conseguinte, tratei de ajustar-me ao backstage. Acho que foi a escolha mais sábia que tomei na vida - ou a mais segura. Eu prefiro continuar na minha safezone do que sentir aquela dor no peito novamente.
Talvez amanhã eu escreva a história de vocês aqui. Do grande amor das suas vidas ou da grande decepção, mas hoje, só por hoje, eu precisava usar as palavras para tirar a angústia do meu peito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário